Faz um tempo que eu estou difícil de engatar a primeira em coisas que vão além das minhas obrigações, como trabalhar, ou das que me dão prazer imediato, como beber, fumar, ir ao cinema, encontrar meus amigos e outras cositasmás.
E isso me irrita profundamente. Mas a inércia, perdoem a palavra, é foda. Quebrar a inércia então, é pior ainda.
A minha rotina tem sido pouco saudável: Acordo em cima da hora, levanto correndo e saio de casa esbaforida, quase sempre insatisfeita com a roupa que escolhi para vestir.
Na última semana acordei tão atrasada que peguei táxi de segunda à sexta para ir trabalhar. Como se eu pudesse.
Aí, chego na trabalho, como umas frutinhas - devem ser elas que salvam os meus dias, porque tem sido o meu único hábito saudável de uma quinzena para cá. Sento a bunda em frente ao computador e fico, até a hora do almoço.
O cigarro da manhã eu fumo no táxi.
Também não tenho me dedicado muito à hora do almoço. Em vez de sentar, tranquila e comer comida, fico perambulando pelo jardins.
Quando olho a hora, atrasada de novo. Saio correndo de onde estiver para chegar a tempo no escritório de não atrasar a refeição dos outros, que por vezes confundem falta de pontualidade com falta de respeito. Ups. Porque na MKT Mix nos dividimos em levas para o almoço, a primeira, das 12h30 às 13h30, e a segunda, das 13h30, cravadas, até às 14h30.
15hs é o horário da pílula. Esse eu nunca esqueço, thanks God.
Outra coisa boa é que me livrei do potinho de balinhas de caramelo com chocolate, que fica a nossa disposição todos os dias, na copa. Tudo bem que as balinhas foram muito bem substituídas pelos potes de doce de leite que o Claudinho trouxe de Minas. Não bastasse um, eram dois potes.
Depois das 18h cerveja e cigarro, e agora cachaça, estão liberados. Afinal, "eu mereço", né gente?
Aí começa tudo de novo. OTRA VEZ.
O que precisda ser feito:Voltar a correr, me inscrever na ioga, fumar e beber menos e entrar numa dieta. Dormir seis horas por dia e acordar antes das 08h. Carregar o bilhete único e voltar a usar ônibus. Comprar queijo minas light, pão de foma integral light e leite desnatado para o café da manhã. Sopinha para o jantar.
Mas o pior de tudo, sabem o que é? Eta, vida boa!
quinta-feira, 15 de maio de 2008
terça-feira, 13 de maio de 2008
Uma juventude como nenhuma outra
Algum dia da semana passada, não lembro se quarta ou quinta, havia subido a rua da Consolação, como de costume, para pegar o ônibus na Paulista, no ponto novo, recém-inaugurado, entre o Bob´s e um canteiro com uma árvore gigante. Aliás, lugar super apropriado para se colocar um ponto de ônibus. Mas tudo bem, quem se importa, as calçadas já estão asfaltadas mesmo.
Mas a história que eu vou contar aconteceu antes de eu atravessar a avenida. Estava indo em direção à banca em frente ao Conjunto Nacional quando uma movimentação estranha ali mesmo me chamou atenção. Estranha em termos, porque ver PMs abordando engraxates, motoboys e mordores de rua só por isso já virou recorrente.
Agora lembrei, tinha ido até a banca para acender o meu cigarro, que subiu a consolação inteirinha entre os meus dedos, apagado.
Na cena, três pessoas: dois PMs e um engraxate.
Dos policias, um era bem alto e falava grosso, desses que ficam maiores ainda quando estão de farda; o outro, mais baixinho e gordinho, de expressão mais humana. O engraxate dizia que nada tinha a perder e que não aceitaria passar pelo constrangimento de levantar os braços de costas para o vai-e-vém sem motivo.
E perguntava o motivo. Depois de um tempo, ele cismou e queria saber o motivo de qualquer jeito.
Claro, aquele enfrentamento não estava nos planos da abordagem dos PMs. Resultado, os guardas pegos desprevenidos reagiram um de uma forma, outro de outra.
O mais alto engrossou e a cada passo que dava falava mais alto, com mais autoridade. Àquela altura do campeonato, já virara questão de honra. O mais baixo cumpria o papel da turma do "deixa disso" e tentava controlar a situação que já fugia do controle, afinal, o ele queria o motivo.
E de repente, o engraxate já não fazia mais parte da cena e o que a av. Paulista assistia era a uma discussão entre duas pessoas, diferentes, unidas pelas farda e colocadas como parceiros na ronda metropolitana. E que num contexto de tensão, apesar da aparente banalidade, os conflitos, as idéias, os valores e os sonhos ficam à flor da pele, a um ponto que nada, nada, nada mais é banal.
Eu vi ali, pessoas reagindo, que tranquilamente podiam estar sem farda, reveladora:
:
1. Inacreditável como o que fazemos é determinate na visão social que é construída inconscientemente sobre nós.
A farda, no caso, descaracteriza e despe a pessoa de qualquer subjetividade, como se aqueles corpos que sustentam a maldita farda fossem produzidos em série para funcionar, agir, reagir e responder da mesma forma a toda e qualquer situação.
2. O impacto que a farda tem sobre nós também é inacreditavel. Se fosse eu no lugar do engraxate, provavelmente não teria enfrentado com tanta força a farda.
3. A maioria dos que a vestem contam com esse impacto. No momento em que foram peitados, saíram dos trilhos.
Lembrei do filme "Uma juventude como nenhuma outra" que retrata o dia-a-dia de duas jovens submetidas ao serviço militar - obrigatório - em Israel.
Quase a mesma situação, uma delas, sionista, insistia em realizar a revista em pessoas "suspeitas" - como ditavam as regras - ao passo que a outra estava lá por não ter opção e sempre que podia, burlava a lei.
Um belo filme que procura expor aquelas pessoas como algo que transcenda o que elas fazem. Não que uma coisa não tenha nada a ver com a outra. Mas serve para nós, que achamos que sabemos de tudo, onde qualquer comentário de observasdor pode virar tese, que a dinâmica não é tão simples assim - pá, pum. E que deve haver muita vida por trás do que nos parece uma vida inteira.
Mas a história que eu vou contar aconteceu antes de eu atravessar a avenida. Estava indo em direção à banca em frente ao Conjunto Nacional quando uma movimentação estranha ali mesmo me chamou atenção. Estranha em termos, porque ver PMs abordando engraxates, motoboys e mordores de rua só por isso já virou recorrente.
Agora lembrei, tinha ido até a banca para acender o meu cigarro, que subiu a consolação inteirinha entre os meus dedos, apagado.
Na cena, três pessoas: dois PMs e um engraxate.
Dos policias, um era bem alto e falava grosso, desses que ficam maiores ainda quando estão de farda; o outro, mais baixinho e gordinho, de expressão mais humana. O engraxate dizia que nada tinha a perder e que não aceitaria passar pelo constrangimento de levantar os braços de costas para o vai-e-vém sem motivo.
E perguntava o motivo. Depois de um tempo, ele cismou e queria saber o motivo de qualquer jeito.
Claro, aquele enfrentamento não estava nos planos da abordagem dos PMs. Resultado, os guardas pegos desprevenidos reagiram um de uma forma, outro de outra.
O mais alto engrossou e a cada passo que dava falava mais alto, com mais autoridade. Àquela altura do campeonato, já virara questão de honra. O mais baixo cumpria o papel da turma do "deixa disso" e tentava controlar a situação que já fugia do controle, afinal, o ele queria o motivo.
E de repente, o engraxate já não fazia mais parte da cena e o que a av. Paulista assistia era a uma discussão entre duas pessoas, diferentes, unidas pelas farda e colocadas como parceiros na ronda metropolitana. E que num contexto de tensão, apesar da aparente banalidade, os conflitos, as idéias, os valores e os sonhos ficam à flor da pele, a um ponto que nada, nada, nada mais é banal.
Eu vi ali, pessoas reagindo, que tranquilamente podiam estar sem farda, reveladora:
:
1. Inacreditável como o que fazemos é determinate na visão social que é construída inconscientemente sobre nós.
A farda, no caso, descaracteriza e despe a pessoa de qualquer subjetividade, como se aqueles corpos que sustentam a maldita farda fossem produzidos em série para funcionar, agir, reagir e responder da mesma forma a toda e qualquer situação.
2. O impacto que a farda tem sobre nós também é inacreditavel. Se fosse eu no lugar do engraxate, provavelmente não teria enfrentado com tanta força a farda.
3. A maioria dos que a vestem contam com esse impacto. No momento em que foram peitados, saíram dos trilhos.
Lembrei do filme "Uma juventude como nenhuma outra" que retrata o dia-a-dia de duas jovens submetidas ao serviço militar - obrigatório - em Israel.
Quase a mesma situação, uma delas, sionista, insistia em realizar a revista em pessoas "suspeitas" - como ditavam as regras - ao passo que a outra estava lá por não ter opção e sempre que podia, burlava a lei.
Um belo filme que procura expor aquelas pessoas como algo que transcenda o que elas fazem. Não que uma coisa não tenha nada a ver com a outra. Mas serve para nós, que achamos que sabemos de tudo, onde qualquer comentário de observasdor pode virar tese, que a dinâmica não é tão simples assim - pá, pum. E que deve haver muita vida por trás do que nos parece uma vida inteira.
quarta-feira, 7 de maio de 2008
Gal X Zé
Tanto tempo que não escrevo que é como se as palavras fossem novas, estranhas para mim. Nesse tempo muita coisa passou, principalmente pela minha cabeça, que não sei por onde re-começar a jornada, que quero sem fim.
Quis ir e não pude. Quis ir e achei que fosse. Só sei que no fim das contas fiquei, não fui viajar pelo Brasil nem fui para a Itália.
De início fiquei ansiosa e vivi a expectativa de desbravar o país-continente de braços abertos, sem medo, sem receio, queria mesmo era me jogar, mergulhar de cabeça do Rio Grande do Sul ao Acre, passando pelo meu amor em São Paulo. Ele ficaria, mas na verdade quem ficou fui eu. Ele foi, pro continente antigo, casou a irmã, comeu, viajou, viveu ao lado dos queridos e voltou, ah! voltou!
A essa altura a espera já não era a mesma. Já não havia mais ansiedade e tampouco expectativa.
Virei cética e com dor no coração não queria mais saber de nada, só de sair do lugar de onde estou há mais de ano. E como sou jovem, mais de ano é muito tempo.
Já não estava tão exigente, viajar o Brasil? Não, não, estava topando re-iventar a vida besta, que é também maravilhosa.
Aí veio a Gal e tocou Divino, Maravilhoso! Eu até subi na árvore para ver de perto, mas quando cheguei no topo dei de cara com o Zé Ramalho. E a Gal? E o meu divino, maravilhoso? Deu até medo, quis descer e não pude. Me disseram "Tanto esforço - nem foi tanto assim - para não assistir nem uma música inteira?". Concordei e fiquei por lá mais um pouco, já não prestava atenção no Zé, mas em todos os zés, joãos, marias, georgias, mairas, mauricios, heloisas, daniellas, chicos, rodrigos...em todos que não eram poucos que ocupavam de forma atípica a esquina da São João com a R. Aurora.
E foi demais.
A lição? Enxergar tudo sempre do maior ângulo possível. Viajar o Brasil pode ser o máximo, da mesma forma que ter visto a Gal cantando a nossa música certamente teria sido emocionante. Mas não foi e foi mesmo assim.
Depois quando encarei o Zé Ramalho e não gostei, virei para o outro lado, e como num passe de mágica, encontrei um outro mundo - divino, maravilhoso - completamnete diferente e surpreendente, que só existia ali, daquele exato jeito, porque o Zé estava na direção oposta.
Não se trata de espetacularizar o ordinário, mas de perceber quão espetcular o ordinário pode ser.
E mais tarde, a caminho de Araçatuba pedi para colocar uma música para tocar. Com a permissão e com uma certa nostalgia da saudade, fui certeira, Leonard Cohen - Lover, Lover, Lover.
Ele: "Por que essa música?".
Eu: "Porque ouvi até cansar, ela me trazia você nos tempos de saudade." A segunda parte só pensei.
Foi quando ele me disse, com expressão de surpresa, que também havia escutado a mesma música, sempre cinco horas antes de mim.
Ai pensei, de novo em silêncio, "Assim, quem precisa de Divino, Maravilhoso?".
Quis ir e não pude. Quis ir e achei que fosse. Só sei que no fim das contas fiquei, não fui viajar pelo Brasil nem fui para a Itália.
De início fiquei ansiosa e vivi a expectativa de desbravar o país-continente de braços abertos, sem medo, sem receio, queria mesmo era me jogar, mergulhar de cabeça do Rio Grande do Sul ao Acre, passando pelo meu amor em São Paulo. Ele ficaria, mas na verdade quem ficou fui eu. Ele foi, pro continente antigo, casou a irmã, comeu, viajou, viveu ao lado dos queridos e voltou, ah! voltou!
A essa altura a espera já não era a mesma. Já não havia mais ansiedade e tampouco expectativa.
Virei cética e com dor no coração não queria mais saber de nada, só de sair do lugar de onde estou há mais de ano. E como sou jovem, mais de ano é muito tempo.
Já não estava tão exigente, viajar o Brasil? Não, não, estava topando re-iventar a vida besta, que é também maravilhosa.
Aí veio a Gal e tocou Divino, Maravilhoso! Eu até subi na árvore para ver de perto, mas quando cheguei no topo dei de cara com o Zé Ramalho. E a Gal? E o meu divino, maravilhoso? Deu até medo, quis descer e não pude. Me disseram "Tanto esforço - nem foi tanto assim - para não assistir nem uma música inteira?". Concordei e fiquei por lá mais um pouco, já não prestava atenção no Zé, mas em todos os zés, joãos, marias, georgias, mairas, mauricios, heloisas, daniellas, chicos, rodrigos...em todos que não eram poucos que ocupavam de forma atípica a esquina da São João com a R. Aurora.
E foi demais.
A lição? Enxergar tudo sempre do maior ângulo possível. Viajar o Brasil pode ser o máximo, da mesma forma que ter visto a Gal cantando a nossa música certamente teria sido emocionante. Mas não foi e foi mesmo assim.
Depois quando encarei o Zé Ramalho e não gostei, virei para o outro lado, e como num passe de mágica, encontrei um outro mundo - divino, maravilhoso - completamnete diferente e surpreendente, que só existia ali, daquele exato jeito, porque o Zé estava na direção oposta.
Não se trata de espetacularizar o ordinário, mas de perceber quão espetcular o ordinário pode ser.
E mais tarde, a caminho de Araçatuba pedi para colocar uma música para tocar. Com a permissão e com uma certa nostalgia da saudade, fui certeira, Leonard Cohen - Lover, Lover, Lover.
Ele: "Por que essa música?".
Eu: "Porque ouvi até cansar, ela me trazia você nos tempos de saudade." A segunda parte só pensei.
Foi quando ele me disse, com expressão de surpresa, que também havia escutado a mesma música, sempre cinco horas antes de mim.
Ai pensei, de novo em silêncio, "Assim, quem precisa de Divino, Maravilhoso?".
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008
Cheiro de baunilha
Ontem foi minha primeira vez. No império.
Passados mais de ano de resistência, por, claro, trabalhar numa empresa onde a demanda de ir para lá sempre foi real, ontem não resisti. Não pude. Fui escalada para trabalhar em um desfile dos grandes, o primeiro da história da marca a ser realizado no Brasil. Tanto glamour não poderia ter como palco em outro lugar que não no império - sim, porque aquilo é de fato um império - do consumo e da imagem.
Não que ele não tenha o direito de existir e, afinal de contas, quem sou eu para decidir se algo deveria ou não ter o direito de contiuar com sua sobrevida? No entando, não posso deixar de manifestar a minha falta de compreensão em relação a esse universo que socialmente não tem espaço em frente à marginal do rio Pinheiros - sujo - mas que também não quer saber se tem ou não. Eles compram e pronto.
O batom vermelho coloria lábios milimetricamente desenhados em laboratórios. Todas iguais, bocas iguais, discursos (ou não-discursos) iguais. Sorrisos idênticos, alguns mais sinceros, mas todos para inglês ver. Ora, eles são ricos, bonitos, VIPs e fotografáveis! São felizes e por isso, sorriem. Há os que nem precisam fazer força, a boca não fecha.
Arrisco aqui um comentário que pode soar como pura prepotência e arrogância, mas não é essa a intenção. Claro, não pretendo a imparcialidade, apenas tomo cuidado e procuro deixar bem claro que a imagem me incomoda, porque prezo a diferença e a diversidade. Mas não é nem essa a questão. Falo assim por não respeitar quem não respeita o garçom, a mocinha da limpeza ou da assessoria de imprensa. Em qualquer nível não tolero falta de respeito. E desrespeitar na minha opinião é diferente de não respeitar. Ainda que eu não os respeite, não os desrespeitarei, jamais.
A essa altura do texto já estou um pouco mais inflamada do que quando comecei a escrevê-lo. A minha idéia era só de contar a minha experiência quase antropológica, mas já descambei para o protesto que vem da indignação de sair de lá e no primeiro farol me deparar com um menino magro de pouco comer, fazendo malabares. De lá de dentro, a sensação é que a fantasia é o mundo real. Tudo é perfeito e nada pode estragar o show. Nada, e de fato não estraga. E essa sensação aliada ao cheiro de baunilha dos corredores, elevadores e banheiros é desesperador. A minha vontade era subir em alguma cadeira e acenar para o mundo lá fora. Para as guerras civis na África, para as eleições que vem aí, para a situação dos hospitais públicos, para a fila diária de idosos que vão buscar suas aposentadorias, para o Oriente Médio, ou simplesmente para o menino que embora não estivesse a mais de uma esquina de tudo aquilo, estava mais longe que a Lua.
Pronto, falei.
Passados mais de ano de resistência, por, claro, trabalhar numa empresa onde a demanda de ir para lá sempre foi real, ontem não resisti. Não pude. Fui escalada para trabalhar em um desfile dos grandes, o primeiro da história da marca a ser realizado no Brasil. Tanto glamour não poderia ter como palco em outro lugar que não no império - sim, porque aquilo é de fato um império - do consumo e da imagem.
Não que ele não tenha o direito de existir e, afinal de contas, quem sou eu para decidir se algo deveria ou não ter o direito de contiuar com sua sobrevida? No entando, não posso deixar de manifestar a minha falta de compreensão em relação a esse universo que socialmente não tem espaço em frente à marginal do rio Pinheiros - sujo - mas que também não quer saber se tem ou não. Eles compram e pronto.
O batom vermelho coloria lábios milimetricamente desenhados em laboratórios. Todas iguais, bocas iguais, discursos (ou não-discursos) iguais. Sorrisos idênticos, alguns mais sinceros, mas todos para inglês ver. Ora, eles são ricos, bonitos, VIPs e fotografáveis! São felizes e por isso, sorriem. Há os que nem precisam fazer força, a boca não fecha.
Arrisco aqui um comentário que pode soar como pura prepotência e arrogância, mas não é essa a intenção. Claro, não pretendo a imparcialidade, apenas tomo cuidado e procuro deixar bem claro que a imagem me incomoda, porque prezo a diferença e a diversidade. Mas não é nem essa a questão. Falo assim por não respeitar quem não respeita o garçom, a mocinha da limpeza ou da assessoria de imprensa. Em qualquer nível não tolero falta de respeito. E desrespeitar na minha opinião é diferente de não respeitar. Ainda que eu não os respeite, não os desrespeitarei, jamais.
A essa altura do texto já estou um pouco mais inflamada do que quando comecei a escrevê-lo. A minha idéia era só de contar a minha experiência quase antropológica, mas já descambei para o protesto que vem da indignação de sair de lá e no primeiro farol me deparar com um menino magro de pouco comer, fazendo malabares. De lá de dentro, a sensação é que a fantasia é o mundo real. Tudo é perfeito e nada pode estragar o show. Nada, e de fato não estraga. E essa sensação aliada ao cheiro de baunilha dos corredores, elevadores e banheiros é desesperador. A minha vontade era subir em alguma cadeira e acenar para o mundo lá fora. Para as guerras civis na África, para as eleições que vem aí, para a situação dos hospitais públicos, para a fila diária de idosos que vão buscar suas aposentadorias, para o Oriente Médio, ou simplesmente para o menino que embora não estivesse a mais de uma esquina de tudo aquilo, estava mais longe que a Lua.
Pronto, falei.
terça-feira, 12 de fevereiro de 2008
Ode ao último encontro
Sem dúvida a cultura cumpre um papel muito importante em cada eu particular no lidar com as coisas. É ela que determina aquele fator comportamental comum, que se faz recorrente em pessoas que não por isso deixam de contemplar aspectos absolutamente subjetivos e, por isso, incomparáveis. Esse fator comportamental comum tem tudo a ver sobretudo com espaço e tempo.
No entanto, não é dele que eu quero falar. Quero falar do Erick.
Vou partir do dítame cultural apenas como pressuposto de que determinados valores acabam sendo propagados e absorvidos como verdades absolutas e nesse sentido a conduta diante deles acaba sendo igualmente previsível.
Diferente da cultura islâmica, por exemplo, no ocidente vulgarmente globalizado, da auto-morte não se tiram méritos ou valores ligados à coragem e martírio.
O suicídio é condenado e não cabe aqui analisar se tal postura crítica frente é certa ou errada. Culturalmente é assim e toda ação gera uma reação.
A morte é perda, o suicídio é pecado.
Frente a eles, a minha reação era única: a negativa. Negar e não realizar o fato racionalmente, sobretudo quando quem parte não faz parte da minha vida cotidiana: Não via, continuo não vendo. Deve estar vivo, em algum lugar, fazendo alguma coisa.
A questão é que diante da morte eu viro estátua. Diante do suícidio eu não creio. E ponto.
Não sei lidar e penso que não suportaria uma perda trágica e jovem de perto.
Ontem sonhei com o Erick, que se foi há cerca de um mês, um mês e meio, não sei exatamente. Não éramos próximos, mas existia como uma ponte de carinho, distante, que nos ligava toda vez que nos encontrávamos.
No colégio, ele estava uma série abaixo de mim. Ele queria ser médico e sempre trazia nos olhos um brilho particular. Mais marejado que os demais e talvez mais sincero, com um quê de tristeza, mas extremamente radiante. Daqueles que não se deixa de notar. O sorriso - tão tímido - também era constante.
Sentia que de alguma forma aquele menino precisava explodir. Penso que de tão complexo ele era simples demais para suportar esse mundo estranho. Não sei. Tudo que escrevo vem da minha cabeça e da lembrança que guardo dele.
O penúltimo encontro foi em uma festa, dessas que acontecem todos os anos, grandes. Eu o encontrei e tivemos uma conversa breve, mais por mim do que por ele. Tive pressa, não sei porque e também não quero saber. Apenas me arrependo.
O último foi ontem, no sonho, quando ele me disse que agora era um anjo e respondeu a minha pergunta dizendo que sim, que ser anjo era bom, com o mesmo sorriso tímido e os mesmos olhos marejados de brilho.
Eu acreditei e comecei a pensar que a morte, como tudo, há de ter suas razões para existir.
E que a cultura, ah, certamente que não é a cultura que sabe o que é ter e perder alguém.
No entanto, não é dele que eu quero falar. Quero falar do Erick.
Vou partir do dítame cultural apenas como pressuposto de que determinados valores acabam sendo propagados e absorvidos como verdades absolutas e nesse sentido a conduta diante deles acaba sendo igualmente previsível.
Diferente da cultura islâmica, por exemplo, no ocidente vulgarmente globalizado, da auto-morte não se tiram méritos ou valores ligados à coragem e martírio.
O suicídio é condenado e não cabe aqui analisar se tal postura crítica frente é certa ou errada. Culturalmente é assim e toda ação gera uma reação.
A morte é perda, o suicídio é pecado.
Frente a eles, a minha reação era única: a negativa. Negar e não realizar o fato racionalmente, sobretudo quando quem parte não faz parte da minha vida cotidiana: Não via, continuo não vendo. Deve estar vivo, em algum lugar, fazendo alguma coisa.
A questão é que diante da morte eu viro estátua. Diante do suícidio eu não creio. E ponto.
Não sei lidar e penso que não suportaria uma perda trágica e jovem de perto.
Ontem sonhei com o Erick, que se foi há cerca de um mês, um mês e meio, não sei exatamente. Não éramos próximos, mas existia como uma ponte de carinho, distante, que nos ligava toda vez que nos encontrávamos.
No colégio, ele estava uma série abaixo de mim. Ele queria ser médico e sempre trazia nos olhos um brilho particular. Mais marejado que os demais e talvez mais sincero, com um quê de tristeza, mas extremamente radiante. Daqueles que não se deixa de notar. O sorriso - tão tímido - também era constante.
Sentia que de alguma forma aquele menino precisava explodir. Penso que de tão complexo ele era simples demais para suportar esse mundo estranho. Não sei. Tudo que escrevo vem da minha cabeça e da lembrança que guardo dele.
O penúltimo encontro foi em uma festa, dessas que acontecem todos os anos, grandes. Eu o encontrei e tivemos uma conversa breve, mais por mim do que por ele. Tive pressa, não sei porque e também não quero saber. Apenas me arrependo.
O último foi ontem, no sonho, quando ele me disse que agora era um anjo e respondeu a minha pergunta dizendo que sim, que ser anjo era bom, com o mesmo sorriso tímido e os mesmos olhos marejados de brilho.
Eu acreditei e comecei a pensar que a morte, como tudo, há de ter suas razões para existir.
E que a cultura, ah, certamente que não é a cultura que sabe o que é ter e perder alguém.
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008
A palavra de ordem é paciência
Quero escrever hoje, mas não me sinto capaz, hoje.
Hoje, bem hoje que estou me sentindo incapaz, o meu dia parece uma vida.
É como se tivesse sentido tudo, sem saber lidar com nada. Fiz uma coisinha ou outra. Um telefonema aqui, uma decisão ali. Um te amo aqui, um precisamos conversar acolá. E não saí do lugar.
Nem para ir à padaria comprar o Cornetto para matar meu desejo eu me mexi. Pedi que fossem para mim, forma e eu comi, matei minha vontade e continuei na mesma.
Enquanto tomava café da manhã e lia o jornal, passei pelo horóscopo. De pouco tempo para cá adquiri o hábito de ler o horóscopo do Estado de S. Paulo. Palhaçada, eu sei, mas até que faz algum sentido, eu juro. Ou fazia, até hoje.
O comentário de hoje, assim como o meu dia, parece piada:
"Sua presença acontece num mundo imperfeito, e ainda que em muitos momentos essa condição beire o insuportável para sua alma, seria contraproducente você ficar apontando todas as falhas. Melhor aumentar o seu nível de tolerância".
Bem hoje que descobri que fui escalada para trabalhar no primeiro desfile da Chanel no Brasil. Onde? Na Daslu.
No devagar de ir longe, a palavra de ordem é paciência.
Hoje, bem hoje que estou me sentindo incapaz, o meu dia parece uma vida.
É como se tivesse sentido tudo, sem saber lidar com nada. Fiz uma coisinha ou outra. Um telefonema aqui, uma decisão ali. Um te amo aqui, um precisamos conversar acolá. E não saí do lugar.
Nem para ir à padaria comprar o Cornetto para matar meu desejo eu me mexi. Pedi que fossem para mim, forma e eu comi, matei minha vontade e continuei na mesma.
Enquanto tomava café da manhã e lia o jornal, passei pelo horóscopo. De pouco tempo para cá adquiri o hábito de ler o horóscopo do Estado de S. Paulo. Palhaçada, eu sei, mas até que faz algum sentido, eu juro. Ou fazia, até hoje.
O comentário de hoje, assim como o meu dia, parece piada:
"Sua presença acontece num mundo imperfeito, e ainda que em muitos momentos essa condição beire o insuportável para sua alma, seria contraproducente você ficar apontando todas as falhas. Melhor aumentar o seu nível de tolerância".
Bem hoje que descobri que fui escalada para trabalhar no primeiro desfile da Chanel no Brasil. Onde? Na Daslu.
No devagar de ir longe, a palavra de ordem é paciência.
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008
Porquê eu quero que o mundo inteiro saiba
Hoje completam três meses desde uma das noites mais especiais da minha vida. Do dia que fiz duas horas de almoço pq precisava encontrar um vestido bonito para usar, da noite em que os meus olhos encheram de lágrimas ao vê-lo. Da noite que não tinha por onde ficar mais perfeita, e mesmo assim, quando o sonho parecia ter terminado, recomeçou, dando início a uma entrega cada vez mais plena e sincera.
Foi quando me permiti mergulhar, fechar os olhos e só ser feliz, primeiro em silêncio. Sem falar nada, já o amava com toda a intesidade dos meus abraços. Com certeza ele já sabia, já tinha percebido, e eu boba, sentia medo de trocar em palavras esse sentimento, que me dá forças e faz sorrir, à toa.
Depois vieram as viagens e com elas a certeza de que seríamos companheiros e de que poderíamos passar seis horas juntos na estrada, dentro de um carro, sem cansar, sem dormir. Com o tempo a intimmidade foi crescendo na mesma medida de nossa cumplicidade. E a ausência de receios e amarras tanto nos momentos de confidências quanto nos de exposição de inseguranças foi naturalmente fortalecendo esse vínculo que construimos e que hoje nos une.
Tudo isso sem falar no apoio sem tamanho que sempre dedicou a mim. Dos abraços de consolo às palavras de carinho e força. Sem o presentinho, tudo seria muito diferente, muito mais sem graça, sem paixão e sem cor.
Mon, te disse uma vez que embora não soubesse o que era, sabia que era forte o que eu sentia por você. Hoje não me restam dúvidas, eu te amo e é ao seu lado que eu quero ficar. Meu primeiro namorado, meu primeiro amor de verdade. Meu amigo, meu quentinho. O presentinho de uma vida que ganhei da vida.
Foi quando me permiti mergulhar, fechar os olhos e só ser feliz, primeiro em silêncio. Sem falar nada, já o amava com toda a intesidade dos meus abraços. Com certeza ele já sabia, já tinha percebido, e eu boba, sentia medo de trocar em palavras esse sentimento, que me dá forças e faz sorrir, à toa.
Depois vieram as viagens e com elas a certeza de que seríamos companheiros e de que poderíamos passar seis horas juntos na estrada, dentro de um carro, sem cansar, sem dormir. Com o tempo a intimmidade foi crescendo na mesma medida de nossa cumplicidade. E a ausência de receios e amarras tanto nos momentos de confidências quanto nos de exposição de inseguranças foi naturalmente fortalecendo esse vínculo que construimos e que hoje nos une.
Tudo isso sem falar no apoio sem tamanho que sempre dedicou a mim. Dos abraços de consolo às palavras de carinho e força. Sem o presentinho, tudo seria muito diferente, muito mais sem graça, sem paixão e sem cor.
Mon, te disse uma vez que embora não soubesse o que era, sabia que era forte o que eu sentia por você. Hoje não me restam dúvidas, eu te amo e é ao seu lado que eu quero ficar. Meu primeiro namorado, meu primeiro amor de verdade. Meu amigo, meu quentinho. O presentinho de uma vida que ganhei da vida.
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