segunda-feira, 15 de junho de 2009

Beautiful Song

A Sunday Smile
Beirut / Zach Condon

terça-feira, 2 de junho de 2009

Um filme de rachar de rir

Mulher Invisível, de Cláudio Torres, é um filme feito para se divertir, antes de tudo. Sem constrangimento nenhum, o objetivo é cumprido plenamente e por isso na hora dos créditos, a sensação de que valeu a pena. De que o filme é bom.
Selton Mello no papel principal, interpreta Pedro Albuquerque, romântico que é deixado pela esposa que ama e sobre quem diz, assim que as luzes da sala se apagam, querer ter filhos e ficar velinho ao seu lado.

Depois de abandonado, Pedro fica arrasado e seu grande amigo Carlos (Vladimir Brichta), toma nas mãos o dever de tirá-lo daquela situação e acredita que destraí-lo com festas, bebidas e mulheres será a melhor saída.
Mas o lugar de Pedro não é nas multidões, ele é um cara que sabe amar, e mais do que isso, quer amar - o que soa totalmente inverossímil para o seu amigo garanhão.

É nesse ponto que o enredo começa de fato, pois decepcionado com as mulheres do mundo, Pedro cria inconscientemente uma mulher perfeita, que habita a sua imaginação e mais nenhum outro lugar do planeta. Ao longo do filme, vai ficando claro que Amanda (Luana Piovani) - a mulher que ele mal conhece e com quem já está decidido a subir no altar - é seu alter-ego.

Situações pitorescas e que fazem o espectador se dobrar ao meio de dar risada começam a acontecer. Uma delas e talvez a mais engraçada é quando Pedro pede Amanda em casamento. Eles trocam alianças e ele sugere que eles saiam para beber, dançar e comemorar. A cena de Selton Mello rodopiando sozinho na pista de dança e interagindo com um alguém imaginário é hilária. Mais hilária ainda se pelos olhos de Carlos, que assiste de camarote o show bizarro.

Depois de testemunhar a ida de Pedro ao cinema sozinho, mas com a certeza de que estava acompanhado, Carlos percebe haver algo errado. Sua missão agora é outra, a de convencer o companheiro que a mulher de seus sonhos, só existe nos seus sonhos. Com todo receio a princípio, Pedro cede e promete tirar uma foto de Amanda, para provar para Carlos que o louco da história não é ele.

Paralelamente, sua vizinha Vitória, interpretada por Maria Manuela, nutre por ele uma paixão platônica. Ele nem sequer a nota, mas ela acompanha seus passos e principalmente o que acontece no apartamento ao lado ouvindo tudo com a ajuda de um copo, que ganha potência por as paredes que separam a sala do apartamento dele da cozinha do apartamento dela serem bastante finas.

Sua irmã, interpretada por Fernanda Torres, é um espetáculo à parte. A atriz faz o papel de irmã mais velha que quer desencalhar a caçula e vê-la feliz.

Vitória entra no jogo e o filme fica mais comédia romântica.
Conforme o filme vai terminando e Pedro se dá conta de que Amanda não existe, começa o momento torcida de quem vai ficar com quem, que é impossível ao espectador se manter imparcial.

Muita confusão e muita risada daí em diante, até o final feliz, claro.

Uma mistura de comédia romântica com só comédia e uma pitada de realidade fazem de A Mulher Invisível o filme perfeito para um fim de domingo chuvoso.

domingo, 17 de maio de 2009

Uma chance para a Paz

Amanhã, o primeiro-ministro israelense Binyamin Netanyahu e o presidente norte-americamo Barack Obama terão o primeiro encontro oficial, de ambos enquanto chefe de Estados.
O único encontro entre os dois até então aconteceu em 2008, quando eram ainda candidatos.
Há controvérsias nos discursos em relação à solução de dois Estados para dois povos na região. No entanto, para Bashir Bashir, analista palestino da Universidade Hebraica de Jerusalém, as divergências existem, mas não devem ser superestimadas.
Fim ao derramamento de sangue:
Sou judia e me reconheço como judia. Fui criada dentro dos contumes judaicos e mantenho uma relação cultural com o judaísmo, o que pode soar estranho para crentes de outras religiões. Mas aqui, essa distinção não é bem clara e difícil de explicar, eu diria que por conta de sua história o judaísmo representa para os judeus mais que uma diretriz religiosa, de valores, deveres e obrigações. Há costumes e hábitos que perpassam o dia-a-dia do judeu mais assimilado, que faz com que ele não esqueça o seu passado, os seus heróis. Mais do que os preceitos religiosos, o que une os judeus é a sua história comum.
Enquanto judia no exílio, sinto-me ainda mais responsável em pregar a necessidade de uma luta diferente da que derrama sangue, uma única luta e oníssona, em direção à Paz.
Que coloque fim aos discursos maniqueístas que condenam populações inteiras ao estigma de assassinos ou vítimas, ou vice-versa. Nessa história, não há o mocinho e o vilão. Há vilões dos dois lados e se a briga é desigual, que se aplique outra solução.
O ideal da possibilidade de convivência pacífica entre pessoas deve superar intenções político-econômicas e é o único capaz de convencer. Mas só obterá eco se partir da sociedade civil, de ambos os lados. São os cidadãos, que perdem seus filhos e enterram a juventude, quem devem incorporar w naturalizar a saída pacifista. Somente a sociedade enquanto corpo poderá impor outro caminho a seus governantes.
Os movimentos sociais do mundo inteiro devem se mobilizar a favor da paz, de dois estados para dois povos. Endossar discursos superficiais sobre o conflito é atesTar a sua crueldade, pois a situação só se aproximará da compreensão a partir do momento que for complexificada.
É preciso que o fluxo de informação seja denso e que o discurso mude, de uma vez por todas.
Embora tudo isso possa parecer ingênuo, não interessa. São só palavras humildes, um grito desesperado e sim, idealista, de alguém que hoje não vê luz no fim do túnel. Que no lugar da alternativa oficial, acredita no poder de transformação do homem.
O que importa é que o derramamento de sangue precisa ter fim.
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Filmes que vale a pena assistir:
Paradise Now
2005, Alemanha/França/Holanda/Israel/Palestina
Direção: Hany Abu-Assad
Roteiro: Hany Abu-Assad, Bero Beyer e Pierre Hodgson
Uma Juventude como nenhuma outra
Título original: Karov la Bayit / Close to Home
2005, Israel
Direção: Vardit Bilu e Dalia Hagar
Roteiro: Vardit Bilu e Dalia Hagar

Promessas de um Novo Mundo
Título original: Promises
2001, EUA/Palestina/Israel
Direção: Justine Arlin, Carlos Bolado e B.Z. Goldberg
Roteiro: Stephen Most

sexta-feira, 15 de maio de 2009

O Céu

Na foto com a Gisoca Furacão, em Salvador


Ele é um grande amigo que vem de uma cidadezinha bem pequena do interior de São Paulo. Guariba, que pelo que ele conta, tem cheiro de fruta no quintal e em frente as casas ainda corre um rio.
A cidade que o quer de volta, não por capricho, por convicção, eles querem que o Gui seja o prefeito de lá.
Vou contar o que ele é para os meus olhos. Pra explicar, eu não o conheço há muito, mas a sensação de que já sei tudo que importa sobre ele é bem forte.
Grande companheiro, meses de viagens e muitos, mas muitos km de federais percorridos ao seu lado, do seu violão e da sua santa paciência.
Fomos do estágio desconhecidos direto para o patamar de irmãos, não tivemos tempo nem contexto para a calmaria da descoberta de uma amizade. E agora eu acredito mais ainda no poeta, que disse alguma vez que os grande amigos não encontramos, reconhecemos.
Ele saiu de Guariba e decidido a estudar Direito, foi aprovado na Escola de Direito da USP, no Lgo. São Francisco e entre uma arcada e outra fez movimento estudantil, construiu a Fórum 22, embalou e badalou em mais peruadas do o tempo de curso indica como suficiente.
Se formou e não prestou a ordem, porque do que ele queria mesmo saber era da cultura. Ele é músico e eu sei que dos seus feitos nisso, a sua menina dos olhos é a banda brega que tinha com amigos. Não lembro o nome, mas não importa.
E virou produtor cultural, coordenava os cursos no Pensarte e foi lá que ele conheceu a Geó, minha grande amiga boa. Porque o mundo é pequeno ou não, foi aí que sem saber - nem imaginar, nem eu, nem ele e muito menos a mon - o encontro seria inevitável. Era só uma questão de tempo.
Aí pintou a loucura desvairada da Caravana. Lembro do caminho da R. Áurea ao metrô Ana Rosa, nós e a Fê, um dia antes deles, produtores, partirem. O Gui tinha cabelo comprido e nos contou que era músico. A Fê caminhava preocupada, ainda tinha que desocupar todo o seu guarda-roupa, porque felizmente havia encontrado algúém para ocupar o seu apê durante os três meses seguintes.
Eu não lembro o que passava pela minha cabeça, mas a curiosidade com certeza já tomava conta. Eu queria descobrir tudo sobre eles em dez quadras, porque se a empatia havia sido imediata, sem dúvida, seriam eles os perceirinhos.
No Rio, um mês depois, o cabelo estava curto. O rabo de cavalo ficara em algum estado do norte.
O tempo foi passando, a barba e o cabelos foram crescendo, mas em medida bem menor que a amizade, e olha que no fim da viagem estavam bem mais longos, tanto barba como cabelo.
Voltei, voltamos e a certeza de que a doidera sem condições me trouxera alguns amigos bons satisfaz, faz sorrir e enterrar qualquer dúvida sobre a decisão de ir.

Antes de ontem recebi uma música, com o nome de O Céu e tive vontade de chorar, A música é dele, composta para o curta de uma amiga sua.
As notas são doces, e não por isso deixam de ser fortes. O violão parece essencial, ao ouví-lo é impossível pensar numa vida sem música, sem acordes, sem violão. Sem céu. O jeito de cantar denuncia a sensibilidade de artista - aquela que o Glauber dizia que só os artistas tem - que é bem clara para os que conhecem o Guilherme. Na sua voz e da moça que canta junto, o céu cor de carvão, o véu é mais belo que o mais belo céu azul da cor do mar.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Gosto de Jujuba

Deveria ter gosto de infância, só que para mim teve também de adolescência.
E como!
Lembrei sexta-feira, no Bordô, pouco antes dos Goodfellas subirem no palco. Não que eu pudesse esquecer, mas me lembrei com uma força que me levou de volta, por instantes, a um passado que descobri guardar com muito mais carinho do que imaginava. Foi como, de repente, reviver aqueles tempos em atibaia, com a minha amiga de infância.
Quando crianças, fomos mais próximas do que nunca. Na adolescência, brigamos, choramos uma por causa da outra e as duas por causa deles. Nesse tempo, já não éramos tão próximas, mas éramos sim mais amigas.

E depois que nos separamos me dei conta de que há pessoas na vida que são para sempre, simplesmente porque são.
Aí no reencontro comecei a perceber que a idade começara a me revelar traços que eu não poderia ter descoberto ou sequer me dado conta na infância, quanto mais na adolescência. Que ter 23 e conhecer o outro há iguais 23 anos é a nostalgia possível, do momento passado que virou eterno. Do sorriso que de tempos em tempos será projetado com cada vez mais nitidez. Do dia em que você chorou ou teve raiva ou esperneou e que hoje é o motivo de um sorriso discreto, de canto de boca, normalmente com os olhos quase fechados, com uma certa expressão no rosto, quase triste, de quem quer voltar alguns anos, por apenas alguns instantes.
Por isso preferimos a vida com emoção, como a roda gigante, que ora amedronta, ora dá vontade de se jogar lá de cime com todo tesão do mundo. O tesão de Paulo Freire, aquele que sem ele, não há solução.
Jujuba é isso para mim, a lembrança de uma vida vivida e a certeza de que o caminho vale a pena.
É como ouvir sete anos depois I dont wanna lose your love tonight e sentir uma lágrima adolescente correr nas minhas bochechas que continuam enormes sem nenhum esforço para que isso aconteça.
Com a mesma intensidade e uma única diferença, que agora as bochechas redondas que escondem meus olhos quando eu sorrio não me incomodam mais.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Milk & Dreams



Milk é mais que a voz da igualdade.
Harvey Milk é a prova viva de que sem sonhos a vida não vale a pena. É também a prova de que nunca é tarde para viver a metamorfose ambulante.
De que a juventude é um estado de espírito, muito além dos 20 e poucos anos.
E que o brilho nos olhos, aquele de quem acredita, é a garantia da tranquilidade nos momentos mais limites que a vida pode nos pregar.
O filme não é novo, e o que eu escrevo provavelmente também não. Muitos já devem ter comentado e se tocado com a história deste que lutou pela dignidade dos homossexuais, por seus direitos sexuais, reprodutivos, legais, de seres humanos que como quaisquer outros deveriam ser respladados pela declaração universal dos direitos humanos, mas não são.
Ele fez passar a prop. 6 e levou sentido e segurança à vida de muitos, inclusive conservadores gelados.
Se o filme é conservador ou não, se a estética ou a escolha do ator estão em sintonia com o que Milk queria dizer e disse, não me importo. Pelo menos não agora.
A mensagem de Milk é clara. Acredite em algo, lute por isso e realize. Do texto de uma das minhas irmãs sobre o seu encontro com Lô Borges e Milton Nascimento uso a frase do Clube da Esquina, os sonhos não envelhecem. Ou se preferirem, sonhar não é negociável.
E de fato, não tem preço.
Preenche e traz alternativas. Saber sonhar (porque todos podem) significa possibilidades, esperança no sentido mais terno. Caminhar com a certeza de que há sentido em quase tudo.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Deixa eu falar?

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Saudade de casa

Estão errados os que pensam que só sente saudade de casa quem está longe dela.
Além de sensível, por tratar da sensação da distância, a saudade de casa é simbólica.
Pois aponta para a descontrução das figuras materna e paterna essenciais. De repente, uma lacuna. A parte deles que corresponde ao cumprimento diário de funções sociai pré-estabelecidas some, e pasmem, a gente sente falta.
Não que seja ruim, pode ser difícil, mas não é ruim.
É a reconfiguração das relações, que trazem o seu amadurecimento, talvez até mais cumplicidade e ao mesmo tempo uma vontade incontrolável de voltar a ser criança.

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Aniversário da Tali

Hoje ela completa 23 anos e pouco mais de um que não a vejo.
Pode passar uma vida sem que eu me esqueça do dia em que ela ficará pra sempre mais velha.
Essa não sai do coração, nunquinha!

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Simplesmente Feliz

Pode até parecer infantil vez ou outra, mas mostra o outro lado da coisa.
Ou melhor, que tudo tem dois lados.
Gostei.

Em cartaz no Espaço Unibanco, entre outros.

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Post despretencioso, e assim deve ser lido.
Não há intenção intelectual alguma, só vontade de dividir sentimento.


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terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Revolutionary Road

Revolutionary Road é, sem dúvida um dos melhores filmes que eu assisti recentemente. Ainda faltam alguns na fila, mas já entre grandes, é o primeiro.
Dirigido por Sam Mendes, mesmo diretor de Beleza Americana, e estrelado por Kate Winslet e Leonardo Di Caprio, o filme prima pela sutileza, em todos os momentos. Pela transposição na tela de uma história que poderia ser de qualquer um. De escolhas não feitas, de promessas não cumpridas, de destinos interrompidos no meio do caminho e principalemnte de sonhos não realizados. Que poderiam ser de qualquer um.
O filme é conduzido pela vida, aparentemente normal, de uma família de suburbanos, ou melhor, de pessoas que tornaram-se suburbanos sem querer ao mudarem para o subúrbio americano na década 1950.
A vida ali era quase uma prisão, sonhar não era permitido, num mundo em que sonhar não deve ser negociável.
O pano de fundo é, claro, a família e sua constituição. A rotina que envolve a vida de um pai e de uma mãe que precisam cuidar e alimentar os filhos.Da devoção que envolve a paternidade e como não poderia deixar de ser da série de coisas que abdicamos depois de adquirido o status de pai e mãe.
Mas esse não é o fator determinate, não é o que está sendo tratado. E isso o filme deixa bem claro, ao mostrar a decadência dos valores suburbanos manifestados realidades particulares distintas, porém submetidas à atmosfera do mesmo tempo e espaço. Os senhores de mais idade, cujo filho é psicopata são decadentes. O casal que não tem filhos é decadente. Eles, o casal formado pelos protagonistas Kate e Di Caprio, April e Frank Wheeler, igualmente decadentes.
O que determina a vida dessas pessoas é a auto-condenação. É a preguiça ou a inaptidão de surpreender e ser surpreendido. Tudo ali é muito monótono. A vida não tem sem graça.
A pergunta que não quer calar é como Frank e April deixaram suas vidas caminhar no sentido que os levou para a ausência de sentido.
Jovens, idealistas, excêntricos, bonitos, especiais é o que ambos foram um dia e deixaram se perder, em algum lugar. Não se sabe bem onde, em que momento e o motivo. Nem eles, muito menos nós. Mas o fato é que com tudo isso, foi embora o amor pela vida e ficou o medo de recomeçar.
Porque April e Frank tiveram a oportunidade de mudar sua sorte. Poderiam ter ido a Paris. Pode ser que desse tudo errado, que a cidade das luzes não se iluminasse para esse casal que tinha tudo para ser feliz. Pode ser um milhão de suposições, mas uma coisa é certa, eles não teriam mais uma vez sufocado a vontade de viver e de sonhar. Vontade essa que, sim, ainda havia dentro de ambos.
Um filme real, com pessoas reais e o que é pior, com possibilidades absolutamente razoáveis e ordinárias. Até chegarem no limite.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

A wonderful day

Hoje Barack Obama, presidente recém-eleito dos EUA, assinou sua primeira Lei, que não é qualquer lei, principalmente para nós, mulheres.
Obama decretou a obrigatoriedade de igualdade de pagamento entre homens e mulheres, que desempenham cargos comuns. Nomeada de Lilly Ledbetter, a nova lei homenageia a trabalhadora norte-americana que por toda a vida recebeu salários inferiores que homens empregados e quando lutou pelos seus direitos, ainda durante o Governo republicano do antecessor George W. Bush, sua reivindicação foi negada, com a justificativa de que muito tempo havia se passado.
A lei representa um avanço significativo do ponto de vista real e simbólico da luta mundial das mulheres por seus direitos enquanto cidadãs e igauldade de gênero. No Brasil, essa desiguladade ainda é uma realidade. Estudo divulgado há um ano, referente ao período janeiro 2003 - janeiro 2008, relaizado pelo IBGE, revela que uma trabalhadora brasileira recebe em média 30% a menos do que um homem na mesma função. O estudo diz ainda que mulheres com curso superior completo costumam contar com um ônus de 40% no valor de seus salários em relação ao de qualquer homem no memso cargo.
Obama ainda completa dizendo que não se trata apenas de uma questão relacionada às mulheres, mas uma questão relacionada à família. O que também possuí respaldo estatístico. Novamente de acordo com pesquisa divulgada em 2006 pelo IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - o número de mulheres que assumem o papel de chefes de família subiu 79% em dez anos.
Eu estava em Aracajú e tomava café da manhã no hotel que agora não me lembro o nome, ouvia o telejornal da manhã que passava na televisão, quando quase num susto ouvi a notícia que Brack Obama levava a presidência dos Estados Unidos. O susto veio da desatenção, do esquecimento, pois na noite anterior, durante a contagem de votos, estava completamente antenada. Provavelmente naquele momento o meu pensamento estava em Salvador, cidade para a qual partiria na madrugada do mesmo dia.
A sensação que tive naquele momento ainda é muito nítida e provavelmente é e será uma das melhores sensações da minha vida, a de esperança. Mesmo contrariada por alguns optei por acreditar que a mudança pudesse representar de fato uma mudança. E sigo acreditando, até que me provem o contrário.
E hoje, ao assinar a lei, ele disse: "This is a wonderful day".

"A Ponte" / "The Brigde"

Quando cheguei em casa do cinema, na terça-feira super chuvosa, fui tentada a mais uma sessão de filme, dessa vez um documentário escolhido pelo Neto na locadora, dois dias antes.
Como de costume, eu acreditava que fosse dormir nos primeiros quinze minutos. Topei, porque sinceramente não estava com aquela vontade de encarar os suicidas da Golden Gate, em São Francisco, principalmente depois de ter saído do cinema com um sorriso de amor, e por isso de celebração da vida no rosto. Tínhamos acabado de assistir "O Curioso caso de Benjamin Button".
Mas não foi nada disso. O documentário pode até tratar das pessoasque se atiram do alto de uma ponte com o objetivo de acabar com a própria vida. No entanto não é apenas isso que o filme retrata e tenho minhas dúvidas no que diz respeito à temática central do filme. Para mim, o cerne é antes o suícidio, enquanto consequência social e psicológica de um contexto ao memso tempo subjetivo e universal, do que os suicidas em si, cada um particularmente.
O que aocntece é que é através dessas histórias, do relato das famílias, de amigos e de imagens chocantes que o diretor consegue revelar pontos comuns entre todos os que optam não pela vida. O incômodo e a falta de habilidade de se adaptar nesse mundo e na vida tal como ela está posta é sempre muito evidente no perfil dessas pessoas, que inevitavelmente revelam uma tristeza sem fim, seja no olhar, nas palavras, nos gestos ou, sobretudo, no silêncio. Nesse contexto, é seguindo uma lógica que nada tem de irracional, que o suicídio aparece como um horizonte, como um alívio e como uma solução.
Não que eu seja a favor da interrupção deliberada da própria vida, não. Mas assistir "A Ponte" sem dúvida me fez perceber que o ato de interromper todas as possibilidades de um futuro é muito mais complexo do que o caráter egoísta que lhe é atribuído. Percebi que não cabe a nós julgar essas pessoas, bem como não nos cabe apontar formas mais ou menos humanas, mais ou menos dignas de se morrer.
Cabe a nós, que sempre nos chocamos e nos indignamos com a notícia de um suicídio, compreender que não há desespero em vão. Buscar causas e respostas na sociedade, e da mesma forma, buscar soluções para a promoção de uma vida mais justa e menos desigual.
Pode parecer piegas, politicamente correto, mas não me importa. O ponto é que já passou da hora de desejarmos e resgatarmos um modelo mais humano de seguir em frente nesse mundo que não precisa ser tão hostil.

The Brigde - 2006 - Inglaterra
Direção: Eric Steel
Produção: Eric Steel
Música: Alex Heffes
Fotografia: Peter Baldwin e Peter McCandless
Edição: Sabine Krayenbüh
Duração: 93 minutos

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

The curious case of Benjamin Button

Durante o curso de roteiro que eu fiz em Dezembro, Fábio, o professor, disse em algum momento que para se analisar um filme, é necessário que o crítico ou mesmo o telespectador amador que adora cinema assine uma espécie de contrato, onde a fantasia proposta pelo filme é aceita e admitida como possível.
Essa postura é essencial e faz toda diferença quando se pensa no recém-lançado "O curioso caso de Benjamin Button", filme tão comentado, inspirado no romance homônimo da década de 20, de F. Scott Fitzgerald.
O filme é lindo. Talvez sublime seja a palavra que melhor traduza a delicadeza do enredo, que é sempre conduzido por belas lições de amor. Amor entre mãe e filho, entre pai e mãe, entre amigos bem próximos e quase amigos. Amor e a sua impossibilidade de ir além, de durar para sempre como dizia o poeta, entre um homem e uma mulher.
Do diretor David Fincher, o filme traz Brad Pitt no papel principal, o de Benjamin, que é uma criança rejeitada pelo pai no momento de seu nascimento. Além da mãe ter sofrido de morte materna como consequência do parto, a criança nasce sem feições de um bebê recém-nascido. Com a certeza de que o filho é doente, o pai lança-o nas mãos do destino, deixando-o sozinho nas escadarias de um asilo próximo à casa onde moram.
A criança é encontrada e acolhida por Queenia, que se torna sua mãe. Queenia é estéril e cuida de Benjamin como se fosse seu, de fato. Para ela, o bebê, que nasce com mais de oitenta anos, é um milagre, não daqueles com os quais espera-se deparar, mas é um feito divino.
A história se desenrola e à medida que o tempo passa, em vez de envelhecer, na sintonia do tempo cronológico, Benjamin rejuvenesce. Descobre cedo o seu grande amor e segue-o até o momento em que volta a ser criança - seguindo a inversão da lógica cronólogica - e portanto, perde toda e qualquer lembrança de tudo que havia vivido e amado na vida e ao lado dela que é a mulher de sua vida, a bailarina Daisy, interpretada por Cate Blanchett.
A relação dos dois é o alicerce que sustenta a beleza das relações, revelando a grandeza e os limites do amor, sempre num ritmo que se fosse voz, teria a sensação de veludo.
Trata-se de um amor com tempo determinado, para alguns, um amor impossível. Para eles, um amor vivido.
Ainda que num universo particular e surreal, "O curioso caso de Benjamin Button" dá conta de explicitar valores universais e talvez instintivos do homem, proferindo grandes lições para o espectador, que com facilidade consegue se identificar com as alegrias e sofrimentos consecutivos de situações imperfeitas. De modo que a experiência vivida, com seus ônus e bônus, se transforme na maior riqueza que o homem, a mulher, a criança e o idoso possa cultivar nessa vida.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Nadie podrá quitarme la esperanza

2008 foi um ano de conquistas. De mudanças, de situações difíceis, mas sobretudo de tantas descobertas quantas o meu coração foi capaz de segurar. Na realidade, acredito que ele aguentaria muito mais, creio que somos bem mais fortes do que pensamos ser.
Mas de qualquer forma, não foram poucas emoções.

Ao sair da casa dos meus pais, além da liberdade tão desejada, conquistei a certeza de que fazemos a nossa sorte. De que tudo que sonhamos um dia realizar é muito mais viável do que costumamos imaginar.
Conquistei a consciência de que preciso dos meus pais muito mais do que eu pensava. E ao realizar essa consciência e conseguir enxergá-los de longe, os conquistei e hoje ambos são grandes amigos.

Tive a prova de que é verdade aquela história que é preciso aproveitar e abraçar as oportunidades que a vida nos coloca. Da mesma forma que um raio não cai duas vezes num mesmo lugar ou que o meu cabelo depois do secador nunca fca igual ao dia anterior, a experiência não se repete, e dificilmente se presta a uma segunda chance.

Também tive a certeza de que acreditar e ir em frente, até o fim, enfrentando os riscos e vibrando com as novidades faz com que a gente se sinta vivo.

Percebi que a idéia do definitivo é absolumante questionável. Nada na vida é para sempre porque deve ser para sempre. Tudo pode ser, mas nada deve ser.

Eu descobri o amor. Aquele de verdade, que dói na mesma intensidade que conforta. 2008 terminou e eu saí incólume, feliz, realizada, otimista e corajosa. Pudera, além de tudo, Obama foi eleito!

Mas logo chegou 2009, a cambalhotas, me deixando tonta. Desiquilibradamente tonta. Parece que o destino me prega uma peça, para eu perceber que a vida não é tão fácil assim. Ou que é muito mais fácil do que a minha cabeça maquina ser.

Sinto como se diante de mim existissem dois caminhos e apenas uma escolha, num jogo onde é proibido roubar ou blefar. A alternativa é pagar pra ver. Fazendo valer as palavras que eu quero tatuar no meu corpo.